Mausoléu de ideias

Sobre o chão que piso, descanso inerte. As ideias custam a florescer em minha cabeça tão preocupada em esquecer os pensamentos que a assolam. Deixei o trabalho para as horas insones que me fadaram a essa ligeira incapacidade de controla-los. E esqueci-os. Mas eles me perseguiram, sobrepondo as palavras que nunca foram ditas, o chão que eu nunca andei, o sono que eu nunca tive. Sou um eterno insone admirador aos ecos do que foi apenas uma projeção dos meus sonhos. Sou um perdido na caverna das sombras fraudulentas aos meus olhos ingênuos.

Um dia desses li a carta de um ébrio. Ele me disse coisas sobre o amor, sobre a vida. Ele possivelmente não sabia a felicidade que é viver sobre o estigma da loucura que nos impede de parar na pista. Continuar sempre em frente, se ferindo nos obstáculos, se curando simplesmente na certeza de que um dia no final de sua curta vida, ele se orgulhará desse amor, dor infinita somente aos crédulos que se satisfazem com os farelos de seus desejos. Pois eu aprendi a amar essa dor. Não me falta a sensatez, pois amo o amor.

Tanto não descobri para quem seria este desabafo, que constatei que eu mesmo sou o ébrio. E eu mesmo sou a plateia crítica e insana de mim. Não sei aonde fica o meio, mas enquanto eu estiver na estrada, com a lua acima de mim, eu terei certeza que um dia eu me agradecerei por ter buscado o seu final, o meu final, a apoteose de mim à morte de minha curta vida, e à dor infinita que eu aprendi a amar. E isso me manterá na posteridade.

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