Como um palpitar frenético, as ideias recém criadas são estendidas ao desabrigo inútil de meu sombrio contexto, como bolhas hostilmente abatidas, por minha vida vã, de rotinas frustradas tentando alcançar o que no dia seguinte poderá ser o alívio de esquece-la. E essas ideias engajam-me na busca pelo significado desse vão, ilusório dito a cura à dor do conhecimento.

O saber dói, e a ignorância me parece tão bem-vinda quanto esse trapalhado questionamento à ordem que nos rege. É por isso que fujo dessa confusão cíclica unida ao conformismo tão íntimo ao breu da ignorância. Eu busco essa dor, masoquístico. Sou subjugado por essas leis, incrédulo. E envergonhado quando repouso sobre tamanha obra remota aos tempos de quando ainda se pensava. E saber que daria nisso.

Quando me vejo na podridão que me meti, poderia me culpar de não ter me enforcado no cordão que me foi oferecido ainda em ventre, antes de conhecê-lo, o amor por viver que me leva a crer que ser feliz já basta. E esse amor nasceu antes da razão, que não existiu até que um louco se uniu a outro para sobreviver. A competição é natural ao ser humano, e isso haverá de sustentar-se a partir do ponto que desuniu o homem de sua natureza, a vontade de ser feliz, quando simplesmente já o era. O homem está predestinado a ser livre, e o é por que o escolheu. Os animais não escolhem ser livres, eles simplesmente já são. Mas o homem não está livre de si, ele precisa viver, ele precisa sobreviver. E ele escolheu isso. E aquilo que um dia fez ou se tornou o que somos hoje, estava destinado a escolher a liberdade póstuma. Nós estamos fadados a sermos felizes. E lutamos por isso, e estamos presos a isso.

E tantos tentaram alcançar essa essência da liberdade. Mas eu parabenizo apenas os mortos. Estes sim estão livres. Enquanto eu não morro, eu busco a liberdade que eu quero pra mim, e não a que os outros me oferecem. Por que eu busco o caos, enjoei desse bando de ovelhas seguindo sua fila, que defecam pela boca receitas para viver, e defecam ao chão, me obrigando a pisar em suas merdas pra tentar fujir desse curral. E eu, ovelha negra, só quererei ser livre quando em vida eu também o ser, simples e puramente tal que só eu consiga.

E que se dane os monumentos, os antigos, a sua existência não faz diferença para mim. Ou se fizerem, maldita generalização. Eu quero a hiper bole da hipérbole, o caos em mim que tento reescrever em malditas palavras, difamantes ao caos de meus pensamentos, difamantes à existência de tantas limitações, de um necessitado ser humano que sou, à simples felicidade que eu quero ter.

1 comentários:

Old Arnold

Paráfrase eis.