Ele descansava como quem saboreia o ledo aroma das orquídeas, suas tentações, suas consolações ao café que esfriou e ao sol desejado, e as nuvens pareciam ser sua única dúvida. E a chuva era o único segredo, contado às flores, e tentava tirar delas, mas só conseguia o silêncio. E sempre descansava, e sempre se cansava, no que parecia ser sempre o primeiro beijo à bela amada, parábola alada, que só aceitava os olhares, e se deliciava com os suspiros. Delicada dama, ao mesmo tempo que tão sucinta em suas vestes corolas. A esmo que ele só servisse para admirá-la, divino capricho, porque a odiava. A odiava justamente pelos seus segredos, guardados a sete chaves.

E não sonhava, e se cansava como um velho de suas doenças. E queria descansar. Mas não podia. Algo mantinha seus olhos abertos. Algo mantinha as flores em seu doce púlpito, aberto como os olhos, a janela ao correr das estradas de sóis, luas, nuvens e segredos. E lá continuava ela.

A insonia garantia sonhos que alimentavam a sabedoria de não se perguntar mais do que o pobre à flor. E eram sonhos só de respostas, e eram as dúvidas apenas o esquecimento. E o tempo o fez cego. Os olhos mortos agora não viam, eram a dor inata às flores, eram o torpor fadado aos homens. Os entorpecidos se tornaram felizes, às custas dos que beijaram a flor, e se tornaram elas, seus cúmplices e seus aprisionados. Eles abriram os olhos, beijaram a flor, abriram a janela, às vistas dos cegos, e ao correr nas estradas de sóis, luas, nuvens e segredos, se tornaram eles, e se perderam, para sempre.

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